ASSALTO AO BANCO DO BRASIL DE PORTO VELHO – Considerado na época o maior assalto a banco no Brasil em volume de dinheiro.

ASSALTO AO BANCO DO BRASIL DE PORTO VELHO   Por: Jair Queiroz Parte I O dia era 9 […]


ASSALTO AO BANCO DO BRASIL DE PORTO VELHO – Considerado na época o maior assalto a banco no Brasil em volume de dinheiro.

ASSALTO AO BANCO DO BRASIL DE PORTO VELHO

 

Por: Jair Queiroz

Parte I

O dia era 9 de setembro do ano de 1988, uma sexta feira. Por volta das 9:30 da manhã recebi um telefonema: – “Vá urgente para a Agência do Banco do Brasil que houve um assalto. O Diretor está te esperando lá para fazer os retratos falados”. Em minutos eu estava na agencia da D. Pedro Segundo, onde fui apresentado ao Auditor, senhor Francisco Canindé, de Brasília, que naquele dia estaria encerrando seu trabalho naquela agência bancária. Ele e o Gerente ao chegarem pela manhã ao Banco para o início do expediente foram surpreendidos pelos bandidos e mantidos sobre ameaça numa sala no piso superior enquanto os cofres eram esvaziados.

Apesar da pressão psicológica para não reagirem não sofreram agressões, assim como os demais funcionários. Relativamente calmos o auditor e o Gerente se revezaram nas descrições de dois membros, por suposto aqueles que os renderam e não esconderam o rosto, facilitando a memorização das suas características.

Não demorou e o trabalho foi concluído e aprovado por eles. Foram desenhadas as características do Sargento, o líder do bando, que depois foi identificado como sendo Francisco Emanoel Soarez e do Mexicano, apelido de Nilson Gonzaga Louvisi, que recebia diretamente as ordens do líder e as transmitia aos demais que faziam a limpa no cofre. Dois outros membros também foram descritos, porém com pouca fidedignidade, pois não se aproximaram muito do “posto de comando da operação”, logo, não haviam sido visualizados com clareza.

Quanto aos codinomes mencionados, soubemos depois que foram criados naquela ocasião para não se referirem a nomes ou apleidos já conhecidos no meio policial, pois eram profissionais em atividades dessa natureza, com ações no Nordeste e Rio de Janeiro. O apelido Sargento derivou do fato de ser quem dava ordens e Mexicano foi um apelido espontâneo dado pelo líder em razão do bigodão que ele usava e que descia até próximo ao queixo.

Enquanto isso as equipes já se mobilizavam pela cidade, mas ainda não havia nenhuma pista dos criminosos. O Diretor Geral, Wanderley Mosini, convocou grande parte do efetivo e juntos traçaram as primeiras estratégias de ação. O Gabinete de Gerenciamento das operações foi centrado na Delegacia Metropolitana, cujo titular era o Delegado Francisco Esmone Teixeira. O Delegado Pedro Manoel Macedo Marinho, na época Diretor da DAT, comandava uma das equipes. Barreiras haviam sido montadas nas saídas da Capital, blitz em ruas e bloqueios nas rodovias mais movimentadas, enfim, havia uma verdadeira operação deflagrada para localizar os autores.

O cerco estava fechado, mas as dúvidas eram muitas. Tinha-se em mente que eles não teriam saído da cidade, mas onde estariam? Quantos eram? De onde eram? Viaturas circulavam pela cidade com cópias dos Retratos Falados, as únicas pistas até então.

Enquanto isso o Auditor, Gerente. Tesoureiros e outros funcionários eram ouvidos e narravam os momentos tensos que haviam passado, bem como a dinâmica da ação do bando. Foi assim: O início da operação foi na quinta feira, dia 08.09, quando, por volta das 19:30, a tesoureira saiu da Agência ao fim do expediente. Ao se aproximar do seu veículo estacionado na Rua José de Alencar, foi abordada por dois elementos que a renderam sem mostrar armas, mas a intimidando para que não reagisse. Entraram com ela no carro e foram seguidos por outro veículo até sua residência localizada na Av. Calama, próximo à Salgado Filho. Lá renderam também o seu esposo e o filho de 9 anos. Agiram naturalmente como se fossem visitantes e não despertaram nenhuma suspeita nos vizinhos. Segundo relatou, em nenhum momento apontaram armas ou os agrediram, embora pudessem perceber que traziam armas pesadas numa maleta e pistolas na cintura. Apenas diziam para que se comportassem conforme suas ordens e que tudo sairia bem. Inclusive um deles buscava descontraí-los contando piadas para diminuir a tensão. Outro até jogou partidas de xadrez com o menino. Enfim, ali passaram a noite.

Enquanto isso outros quatro elementos tomaram de surpresa a casa do também Tesoureiro, Joel Holder, na época Pastor da Igreja Assembleia de Deus. Da mesma forma passaram a noite com a família e também não

agiram com violência e até aceitaram leituras de versículos bíblicos e bênçãos proferidas pelo Pastor que no dia seguinte seguiu rendido até a agência e mantido refém, assim como aconteceu com Tesoureira que foi acompanhada até o local de trabalho, enquanto seu esposo e filho um permaneciam rendidos em casa.

Como de praxe na chegada a agencia ela acenou ao Vigilante do dia para abrir o portão da entrada de serviço, localizado na parte de trás. Embora não fosse normal ela estar acompanhada por dois homens, ele de nada suspeitou em razão da naturalidade dela que inclusive sorria e conversava com eles demonstrando tranquilidade, conforme as ordens recebidas. Uma vez no interior da agencia dominaram os demais seguranças e os primeiros funcionários que já se encontravam no local. Enquanto realizavam o roubo membros da quadrilha permaneciam próximo à entrada de serviço rendendo os demais trabalhadores que chegavam, levando-os para uma sala onde eram mantidos sob a guarda dos meliantes. Prossegue outros capítulos .


2 Comentários

  1. Jairo César barreto disse:

    Tive a honra de ter trabalhado nessa operação

  2. Jairo César barreto disse:

    Tive a honra de ter trabalhado nessa operação , com esses polícias das antiga

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