Há 18 anos na Justiça Federal, Sergio Moro se inspira em caso italiano para investigar corrupção na Petrobras



Se a vida do juiz Sérgio Moro virasse um filme, seria fácil construir a narrativa até o momento em que ele ser tornou protagonista da Operação Lava Jato e, a partir daí, conhecido nacionalmente. Desde que entrou na Justiça Federal, há 18 anos, a impressão que se tem é que Moro vem sendo, ao longo dos anos, preparado para este caso.

As primeiras prisões da Lava Jato assinadas por Moro investigavam mais uma ação de um grupo de doleiros. Entre eles, Alberto Youssef, velho conhecido do juiz por já ter sido preso outras oito vezes no Paraná, estado natal de ambos.
Com os conhecimentos que acumulou ao longo dos últimos anos em julgamentos de lavagem de dinheiro, Moro se deparou com uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, que foi puxando o fio do novelo (seguindo o dinheiro, como o próprio Moro chegou a dizer em palestra) e chegou ao bilionário esquema de corrupção instalado na Petrobras, maior empresa brasileira, com envolvimento de políticos, doleiros, operadores e empresários.

Estudioso da Operação Mãos Limpas, que acabou com um complexo sistema de corrupção na administração de Milão, na Itália, Moro virou um dos personagens centrais de uma operação no Brasil que pode se tornar tão grande quanto a Mãos Limpas italiana.
Em artigo de 2004, exatos dez anos antes do início da Lava Jato, Moro descrevia a amplitude das Mãos Limpas. “A ação judiciária revelou que a vida política e administrativa de Milão, e da própria Itália, estava mergulhada na corrupção, com o pagamento de propina para concessão de todo contrato público”, escreveu na introdução.

As coincidências entre o objeto de estudo de Moro e a Lava Jato não param na magnitude das duas operações. A Mãos Limpas aconteceu graças a um intenso trabalho do judiciário italiano. Dois anos depois do início das investigações, 2.993 mandados de prisão haviam sido expedidos, 6.059 pessoas estavam sob investigação, incluindo 872 empresários, 1.978 administradores locais e 438 parlamentares, sendo que quatro deles haviam sido primeiros-ministros. E, na Itália, a rede de corrupção chegou até estatal de petróleo italiana, que abastecia os caixas dos partidos políticos com dinheiro vindo de propina.

Não é difícil de se imaginar que Moro queira chegar perto dos números da Mãos Limpas. Além da experiência no assunto, reconhecida nacionalmente a ponto de ter sido requisitado pela ministra Rosa Weber, do STF (Supremo Tribunal Federal), para auxiliá-la no julgamento do mensalão, Moro é conhecido pelos colegas pela sua agilidade. Ele finaliza uma enorme quantidade de trabalho em pouco tempo, chegando inclusive a surpreender os experientes advogados que defendem os empresários das maiores empreiteiras brasileiras presos em Curitiba.

O sistema online de acompanhamento processual da Justiça do Paraná dá pistas sobre os hábitos de trabalho do juiz. A velocidade das atualizações faz com que quem acompanha o sistema de perto acredite que ele leva trabalho para casa.
R7

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