Lava-Jato tem sido criteriosa, diz ministro aposentado do STF




Velloso diz que Operação tem forte simbolismo, e que a prisão de Odebrecht mostra que a lei é para todos

João Valadares
Breno Fortes/CB/D.A Press – 5/11/15
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Velloso afirmou ontem, em entrevista ao Correio, que a condenação de Marcelo Odebrecht, dono da maior empreiteira do Brasil, é muito importante e significativa. “Não entro no mérito da condenação, é claro, porque não conheço os fatos postos nos autos, as provas produzidas. A prisão do presidente da maior empresa brasileira do setor de construção pesada significa que ninguém está acima da lei”, ressaltou.

Alvo de críticas de um segmento do meio jurídico, a Operação Lava-Jato a as medidas do juiz Sérgio Moro foram defendidas por ele. “A Operação Lava-Jato vem sendo conduzida com critério, tanto que as decisões do juiz Sérgio Moro têm sido confirmadas pelos tribunais, inclusive pelo STJ e STF. Ressalte-se que se observa um bom entrosamento entre Ministério Público e Polícia Federal”, pontuou.

Saiba mais
Lava-Jato: Marcelo Odebrecht é condenado a 19 anos de prisão
Lava-Jato: Marcelo Odebrecht é condenado a 19 anos de prisão
Advogados de Marcelo Odebrecht classificam decisão como
Advogados de Marcelo Odebrecht classificam decisão como “injusta”
Velloso comentou a condução coercitiva a que foi submetido o ex-presidente Lula, sexta-feira passada, por determinação de Moro. “O juiz determinou, em seu despacho, que houvesse o convite para o comparecimento para depor. Caso não aceito o convite, ocorreria a condução coercitiva, inclusive para evitar incidentes como os ocorridos entre populares quando da intimação do ex-presidente perante o promotor de Justiça de São Paulo. Na ocasião, houve negativa de comparecimento”, destacou.

Leia mais em Política

Ele afirmou que não houve excesso, mas, no lugar de Moro, agiria de maneira diferente. “Eu, se fosse o juiz da instrução, determinaria, primeiro, a expedição de ofício, a fim de bem caracterizar, se fosse o caso, a recusa em comparecer para depoimento. Eu agiria dessa forma por ser mineiro, que pensa duas vezes antes de agir e que costuma antever o que pode acontecer”, ponderou.

O ministro aposentado declarou que, até agora, não observa nenhum respaldo jurídico para um pedido de prisão de Lula. “Não vejo motivo, no momento, para a prisão provisória ou preventiva do ex-presidente”. Questionado se percebe algum tipo de viés ideológico na condução da Lava-Jato, Velloso rebateu. “Trata-se de uma acusação injusta, não assentada em fatos. O que acontece é que as pessoas não estavam acostumadas com um juiz feito o Moro. Ele é um juiz severo, é certo, mas um juiz criterioso e ajustado às novas circunstâncias fáticas e jurídicas e que não se subordina a razões subalternas, como ressaltou, em entrevista à imprensa, o ministro Carlos Ayres Brito.”

Correio Brazilense.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.