Profissão de risco: Somente no primeiro semestre, 87 policiais morreram no Rio

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10/10/2016. Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil. Brasil. Rio de Janeiro - RJ. Operação policial após ataques às bases das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, em Copacabana.

Morte de PM em assalto, 87º deste ano, expõe a violência no Rio
Cabo reagiu à abordagem de bandidos e levou cinco tiros. No estado, outros 86 policiais foram assassinados em 2017

Correio Braziliense
O sábado seria de celebração para o cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Cleber de Castro Xavier Júnio, de 28 anos. Mas, na véspera do dia em que faria aniversário, o rapaz, que estava noivo, reagiu de dentro do seu Chevrolet Cruze branco a um assalto. E foi baleado.

Durante a troca de tiros no fim noite da sexta-feira no Bairro do Grajaú, também foi atingido um dos dois assaltantes que abordaram o carro com uma motocicleta — até a noite de ontem, o segundo bandido ainda estava foragido. Cleber chegou a receber socorro, mas não resisitiu aos cinco tiros que o atingiram. O assaltante Vagner da Silva Rodrigues, 23 anos, também morreu.

O destino do Cabo Cleber é o mesmo que tiveram, neste ano, 86 dos seus colegas (quadro abaixo). Nos sete primeiros meses de 2016, 77 policiais militares se tornaram vítimas de mortes decorrentes da violência no Rio de Janeiro. O estado enfrenta problemas financeiros, com caos nas contas públicas e evidente degradação da qualidade dos serviços públicos — inclusive com o ex-governador, Sérgio Cabral, preso por envolvimento em corrupção.

Cargas que têm a capital carioca como destino não são protegidas por recusa de seguradoras devido ao risco do assalto a caminhões — entre 2011 e 2015, o número dessas ocorrências aumentou 219%, de 3.703 para 9.809 casos por ano, conforme estatísticas das transportadoras.

Policiais que atenderam a ocorrência da noite da sexta-feira no Grajaú identificaram que a moto usada pelos ladrões que abordaram e assassinaram Cleber era roubada. E testemunhas relataram que a dupla de assaltantes fez, antes do ataque ao policial militar, outras abordagens a pedestres no bairro.

“A sensação é de que o caos nas contas do governo afeta muito a segurança pública”, comenta o professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Arthur Trindade. O pesquisador do tema segurança pública e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal do governo Rollemberg passa temporada na capital fluminense para desenvolver trabalho na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Percebo aqui uma grande desilusão, uma situação ainda mais difícil que em todo o resto do país”, comenta o professor que, desde dezembro do ano passado, vive na capital carioca, no Bairro de Botafogo.

O professor percebe duas características que distinguem o Rio de Janeiro das outras 26 unidades da federação brasileira: a primeira é a frequente ocorrência de troca de tiros entre bandidos e policiais. “Esse é um episódio de muita dramaticidade, que traz pânico aos moradores de todo um bairro”, avalia Trindade. “A segunda especificidade do estado fluminense é a baixa confiança que a população manifesta, em pesquisas, nas polícias civil e militar.” Os confrontos armados, a diminuição do policiamento ostensivo — por causa da falta de recursos — e os assaltos a pedestres, no entender do professor, contribuem para o aumento da sensação de insegurança. Chama a atenção, na estatística sobre as mortes de policiais militares no Rio de Janeiro, a quantidade de vítimas que estavam em folga: 53. Isso é um indício de que, para melhorar a renda, esses profissionais estão se dedicando a bicos.

Profissão de risco
Mortes violentas de policiais militares no Rio de Janeiro
2017, até 15 de julho

Em serviço 17
Durante folga 53
Reformados 17
TOTAL 87

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