Três episódios da delegada Ivanilda Andrade na Polícia – Pedro Marinho

Nossa colega Maria Ivanilda de Andrade, já tendo formação pedagogica, primeiramente foi nomeada como Diretora da nossa embrionária Escola de Polícia, mas irrequieta e muito determinada com posições sempre muito fortes, foi trabalhar como titular da Delegacia de Menores.
Naquela Especializada, Certa feita um famoso advogado de Rondônia, que chegou inclusive a ser presidente da OAB, adentrou no seu gabinete e como era comum naquela época tentava acender o seu cachimbo, quando então Ivanilda incontinenti perguntou: “O Senhor por acaso pretende fumar aqui na minha sala ?”, quando então o advogado, surpreso com a pergunta e do alto da sua importância respondeu: “Sim, por que?” E Ivanilda, que tratava a todos por ‘Senhor’ logo lhe disse: ‘Aqui mesmo não, se senhor quiser, vá fumar lá fora.’ No mesmo instante o advogado se sentindo ultrajado e vendo o telefone sobre a mesa da delegada, fez menção de que iria pegar o fone, dizendo ele naquela oportunidade, que iria telefonar para o Secretário de Segurança, em razão do desrespeito feito a sua pessoa, quando então Ivanilda, arregalando os olhos – como sempre fazia quando estava com raiva – colocou a mão sobre o aparelho e lhe disse: “Aqui não, pois no telefone da minha sala, ninguém vai ligar para o Secretário para fazer fuxico a meu respeito. Se o senhor quiser, que se utilize do orelhão lá fora na calçada.”
Numa outra oportunidade, Ivanilda, precisava apanhar uma encomenda na Estação Rodoviária, relacionada ao serviço administrativo da Polícia e ao chegar no fusca da delegacia devidamente caracterizado, pediu ao condutor que buzinasse para que o guarda baixasse a corrente e dar passagem ao veículo para assim parar próximo ao ônibus, tendo o funcionário ignorado solenemente a buzina e ao fazer negativa com mão e desdenhando simplesmente virou as costas para a viatura, quando então Ivanilda, bem contrariada determinou: “Senhor João – o nome é fictício – avance com a viatura e quebre a corrente e diante da relutância do condutor, ela disse: “Cumpra a minha ordem, pois as consequências eu assumo” e assim foi feito, a corrente foi rompida e o carro avançou e o guarda ao perceber a raiva de delegada Ivanilda e temeroso de ordem de prisão, simplesmente se escafedeu do local. Tal história correu de boca em boca instituição e todos se divertiram muito.
Numa outra vez, essa história é mais recente, eu estava Diretor da Polícia Metropolitana e em razão da escassez de mão de obra, fui autorizado a escalar para o plantão de Polícia, os delegados lotados na Corregedoria e foi o que fiz.
Um dia ao chegar para o trabalho, fui procurado por um delegado que assumia o Plantão – o nome será omitido – tendo o mesmo bastante contrariado passado a me informar que precisou se atrasar e ao chegar encontrou Ivanilda que concluia o plantão noturno, fazendo uma ocorrência administrativa contra o mesmo e pedindo encaminhamento daquela comunicação para a Corregedoria para as providências cabíveis.
Estava esse delegado fazendo essa reclamação contra Ivanilda, quando a mesma adentrou na sala e foi logo dizendo: ‘Você veio aqui fazer fuxico, me respeite que eu Maria Ivanilda de Andrade, não sou mulher de fofoca?’ Ocasião em que esse delegado, que tambem era conhecido por ter um temperamento forte, estando com sua pistola a mostra na cintura, se levantou e ainda tentou argumentar com Ivanilda, que enfiando a mão dentro da bolsa, onde provavelmente estava sua arma, falou: “Eu sou filha de um homem chamado Antonio Andrade e um amarelo da sua qualidade não me faz medo, em respeito ao nosso diretor eu lhe convido para resolver tal assunto fora do prédio, quando então tive que entrar no meio dos dois e apaziguar os ânimos, tirando dali Ivanilda até que a mesma se acalmasse. O fato que a ocorrência feita por Ivanilda de uma página inteira no livro administrativo do plantão, foi parar na Corregedoria Geral.
Nossa colega Maria Ivanilda Andrade tem muitas histórias na nossa instituição, pois sempre foi uma profissional muito séria e determinada, o que foi importante para que assim a mesma conquistasse o respeito e a admiração de todos os colegas.

2 comentários em “Três episódios da delegada Ivanilda Andrade na Polícia – Pedro Marinho”

  1. Primeiramente, quero agradecer o carinho de Dr. Marinho com a minha pessoa, que gentilmente mencionou uma pequena parcela da minha trajetória como Delegada de Polícia de Porto Velho. Aproveito o ensejo e quero lembrar daqueles trabalharam e estiveram sempre me protegendo meu muito obrigada. Meu sincero abraço.

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