Viaturas têm cota semanal para combater crime em RO.

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Para Sinsepol, Direção Geral da Polícia Civil comete assédio moral velado e quer policiais distribuindo panfletos; mesmo com baixos salários servidores são destaque nacional

DA REPORTAGEM LOCAL

“Todos os policiais civis de Rondônia estão descontentes e não desmotivados”. A avaliação é feita pelo presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Rondônia (Sinsepol), Rodrigo Marinho, em repúdio a um pedido feito pela Direção Geral da Polícia Civil (DGPC), que solicitou – em caráter de urgência – que todos os delegados do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom) encaminhassem, no prazo máximo de 24 horas, uma lista com nomes de todos os policiais que estivessem desmotivados.
O Sindicato da Polícia Civil de Rondônia, avalia a atitude como uma ação estranha e sem fundamentação e que pode inclusive configurar assédio moral velado. Ele destaca que não há no quadro da polícia nenhum delegado com formação, em área específica, que possa fazer tal análise. O que é policial desmotivado? Qual o critério deve ser adotado para esta análise? O que irão fazer com uma lista de policiais “desmotivados” analisados tão somente pelos chefes das unidades policiais? São estas perguntas que precisam de respostas? Indagou Rodrigo Marinho, Presidente do Sinsepol.

O documento foi encaminhado na quinta-feira (10) por meio da circular interna nº 1183 às unidades policiais. De acordo com o presidente do Sinsepol, é muito estranho este tipo de comportamento da DGPC. A postura correta da Direção Geral da Polícia Civil seria buscar soluções para os vários problemas graves enfrentados todos os dias pela categoria como: cota semanal para abastecer viaturas – quando acaba ficam paradas -, falta de material de expediente, falta de água para beber, falta de material e pessoal para limpeza das delegacias – quem limpa são os policiais – internet lenta para registros de ocorrências. Para funcionar, os servidores, em muitos casos, bancam do próprio bolso o custeio de água mineral, café, material de limpeza, dentre outros..

Rodrigo Marinho afirmou que a atitude – sem nenhum embasamento técnico – revoltou os policiais. Para Marinho, ao invés de ficar buscando desestabilizar a categoria, a DGPC deveria pleitear para que o governo de Rondônia implantasse as promoções – que deveriam ter sido feitas em março deste ano – para beneficiar centenas de policiais que têm direito garantido, mas que por questões que ainda não foram justificadas, estão sendo “empurrados” com a barriga pelo governo de Rondônia. Ele afirma que não há desmotivação na polícia, o que pode haver é descontentamento justamente pela falta inércia da Direção Geral e SESDEC, em salvaguardar direito líquidos e certo dos policiais civis, uma vez que compete ao CONSUPOL a realização do processo de promoção, e nunca foi preciso tal processo ser encaminhado para análise de impacto, pois trata-se de direito decorrente de lei, de ato ordinário.

INCOERÊNCIA
Rodrigo afirma que a atitude da DGPC é incoerente. Ele destaca o desempenho acima de média nacional – considerando proporcionalmente o número de habitantes – que a Polícia Civil de Rondônia obteve ano passado, ficando entre as mais eficientes do Brasil.
Os números são expressivos e mostram a qualidade, a capacidade, eficiência e competência dos homens e mulheres que estão na linha de frente no combate à criminalidade no Estado.
Dados do setor de estatísticas da Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), divulgados recentemente, apontam que durante o ano passado, foram registradas 268 mil ocorrências.
Deste total, cerca de 70 mil foram atendimentos feitos pela Polícia Militar – responsável pelo policiamento ostensivo -, e o restante, um total de 200 mil, foram registradas nas delegacias de Polícia Civil, em todos os municípios de Rondônia.
Há uma falta de comunicação entre a Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec) e a DGPC. Ou ainda, a Direção Geral não teve acesso aos números positivos que a Polícia Civil – por mérito de seus servidores – vem obtendo, em especial ano passado. Somente em apreensão de drogas, o número chega a mais de 1.500 quilos de drogas, um recorde.

MAIS INSULTOS

Não satisfeita em fazer um terrorismo velado, a DGPC quer promover o desvio de função de dezenas de policiais. Em circular enviada ao do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), a direção quer utilizar policiais civis para fazer panfletagem de material, em pit stop, em pontos centrais da cidade.

A ação – embora esteja disfarçada de supostas boas intenções – é puramente politiqueira, afirma a direção do Sinsepol. Mesmo com o número baixo de efetivo, como pode a DGPC querer desviar servidores de suas funções para fazer panfletagem? disse Rodrigo Marinho.

Ao contrário do que tenta passar a DGPC, são ações como essas que podem desmotivar o policial, que passou em concurso público, fez curso de formação pesado em academia, adquiriu técnicas e, agora, se vê prestes a ter que distribuir panfletos em semáforos para agradar interesse político de pessoas que não estão verdadeiramente comprometidas com a segurança da população, e de certa forma, pode expor o policial e assim prejudicar o andamento das investigações, já que a polícia judiciária trabalha com investigações de crimes, em sigilo não podendo serem postos em uma “vitrine” para que criminosos possam se beneficiar de informações sobre quem os investiga, além do mais, o tempo que tais policiais ficarão nestes eventos, a sociedade ficará desguarnecida, posto que não há policiais suficientes neste Estado, para que possa ser feito desvios, sem que a sociedade não perceba.

PROVIDÊNCIAS
Os casos serão encaminhados ao Ministério Público para conhecimento. Não se pode tratar profissionais que arriscam a vida todos os dias para garantir a segurança da população de forma tão irresponsável, finalizou Rodrigo Marinho. — com Rodrigo Marinho.

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