Delegado paraibano Miguel Lucena é investigado por divulgar nomes de bandidos

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LUCENA PRESTA ESCLARECIMENTOS AMANHÃ SOBRE O CASO ENVOLVENDO UM SENADOR

LUCENA É DELEGADO DE POLÍCIA HÁ 19 ANOS E NUNCA RESPONDEU A NENHUM PROCESSO DISCIPLINAR FOTO: ARQUIVO PESSOAL
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Três procedimentos abertos pela Corregedoria Geral da Polícia Civil mostram que a instituição resolveu apertar o cerco ao delegado Miguel Lucena, ex-diretor de Comunicação da PCDF, sob a acusação de que ele divulgou para a imprensa informações sigilosas relacionadas a criminosos investigados.
A primeira apuração se refere ao médico cardiologista L.A.A, 63 anos, envolvido em agressões físicas e morais a mulheres. Ele chegou a postar, no Facebook, que mulher que não respeitasse o marido deveria apanhar.

A manifestação machista do médico repercutiu em todo o país. A imprensa descobriu que ele tinha envolvimento com crimes da Lei Maria da Penha e procurou Miguel Lucena, então diretor de Comunicação da Polícia Civil, que confirmou a existência dos boletins, mas não forneceu detalhes dos casos.

A Corregedoria também instaurou inquérito para apurar se o delegado Miguel Lucena vazou informações sobre interceptações telefônicas em um caso de exploração da prostituição no Setor Sudoeste, investigado pela 3ª DP no final de 2015. Lucena presidiu o início da investigação, que passou pela coordenação de três outros delegados.

Dois anos depois, um repórter acessou detalhes da investigação, em outra instância, e visitou a 3ª DP para saber se o inquérito estava em andamento, recebendo a resposta de que o caso havia sido finalizado e estava sob o crivo do Judiciário. Os dados a que o jornalista teve acesso mostravam um senador de Roraima conversando sobre mulheres com o agenciador da prostituição, o que levou o governo a exigir que a Direção da PCDF apurasse o vazamento.

Lucena explica que, quando presidiu o caso, apurou o crime de estelionato contra as prostitutas e nem percebeu que havia político envolvido, porque a investigação não focava nos clientes. “Não nos referimos a esse detalhe em nenhum relatório”, afirma o delegado.

O terceiro inquérito instaurado pela CGP é sobre a gravação e difusão de áudios de uma reunião entre o governador Rodrigo Rollemberg e deputados distritais, no Palácio do Buriti, realizada em 2015, em que parlamentares exigem que o “bolo” seja repartido entre eles. Foram intimados Lucena e o jornalista Hélio Doyle, então Secretário da Casa Civil.

“Eu não participava desse tipo de reunião quando estava na Diretoria de Análise da Informação da Casa Civil. Quem monitorava os ambientes era a Casa Militar”, explica Lucena, sugerindo que a Corregedoria da Polícia Civil intime o governador para dar explicações, “porque as instâncias superiores devem saber de algo mais concreto”.

Miguel Lucena é delegado de Polícia há 19 anos e nunca respondeu a nenhum processo disciplinar. Tem uma ficha recheada de elogios. Jornalista e escritor, foi diretor de Comunicação da PCDF por três vezes. “Se forem me indiciar e processar pelas vezes que fiz interlocução com a imprensa e divulguei ocorrências com nome de bandidos, quando a Divicom foi criada exatamente para isso, deverei ser condenado pelo resto da vida. A inversão de valores, ditada pela politicagem, infelizmente se instalou na Polícia Civil, mas tenho confiança de que a injustiça não prevalecerá”, afirmou Lucena.

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