Maia se lança à Presidência e diz que ‘polarização PT X PSDB já se esgotou’

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Josias de Souza
Folhapress

A candidatura presidencial do deputado Rodrigo Maia, penúltima novidade da sucessão de 2018, será formalizada nesta quinta-feira (8) em convenção nacional do DEM. Contrariando até a prudência paterna, o presidente da Câmara decidiu meter-se numa aposta. Cesar Maia, seu pai, preferia que o DEM fizesse uma aliança com o tucano Geraldo Alckmin e que o filho renovasse o mandato de deputado, pleiteando a recondução ao comando da Câmara em 2019.

“Não nasci deputado. E não preciso morrer deputado”, deu de ombros o neopresidenciável, em conversa com o blog. “As pesquisas indicam que o PSDB é o partido mais rejeitado do Brasil. Não tenho nada contra o Geraldo Alckmin, mas isso contamina a candidatura dele. Além disso, a política brasileira atravessa uma mudança de ciclo. A polarização PT versus PSDB já se esgotou. Vivemos o início de um novo ciclo.”

Sob diferentes denominações, o DEM está no poder desde a chegada das cavarelas de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro. Após amargar um jejum de 13 anos nas administrações do PT, o partido está novamente no poder. Mas lhe falta o governo. E Rodrigo Maia avalia que, se não tentar a sorte na conturbada conjuntura de 2018, seu partido não encontrará nova chance tão cedo.

“A política vai se rearranjar. Pelos próximos oito ou 12 anos não teremos outra oportunidade igual”, declarou Rodrigo Maia. “Com um mínimo de competência, o próximo presidente poderá permanecer à frente do governo por oito anos. O Brasil tem muita possibilidade de dar certo. E o presidente, estando bem, terá condições de fazer o sucessor.”

A aposta de Rodrigo Maia deixou de ser solitária. Ele arrastou para o seu lado duas legendas do chamado centrão: PP e Solidariedade. Flerta com outros dois partidos: PRB e PR. Todas essas legendas são cobiçadas também por Alckmin, cuja margem de manobra estreitou-se. Um deputado do centrão resumiu a cena: “O Alckmin também quer o nosso apoio, mas ele não gosta de nós. O Rodrigo gosta.”

A candidatura de Rodrigo Maia vai trafegar na congestionada via do centro. “O principal ator desse campo é o Geraldo Alckmin”, reconhece o presidente da Câmara. “Não podemos menosprezar um governador de São Paulo. Mas a rejeição ao PSDB é alta. E o Geraldo não terá mais o governo de São Paulo, que será assumido pelo vice Márcio França. Isso reduz a influência da máquina.”

A última vez que o DEM sonhou com a Presidência da República foi na década de 1990. Nessa época, chamava-se PFL, Partido da Frente Liberal. Nascera de uma dissidência do PDS, que sucedera a Arena, legenda oficial da ditadura. Enquanto o tucanato envergonhava-se das reformas liberais, o PFL estendia um tapete vermelho no Congresso para as propostas de FHC. Coisas como reforma da Previdência, quebra do monopólio do petróleo e gás.

Nessa ocasião, suprema ironia, o projeto presidencial do ex-PFL se chamava Luís Eduardo Magalhães. Ele também presidia a Câmara quando a legenda elaborou um projeto de poder chamado “PFL 2000”. A ideia era fazer de Luís Eduardo, filho do cacique Antonio Carlos Magalhães, o sucessor de FHC. Dono de lábia refinada, Luís Eduardo percorreu o país para conquistar novos quadros. Atraiu, por exemplo, o então prefeito do Rio, Cesar Maia. Depois de alguma hesitação, o pai de Rodrigo Maia migrou do PMDB para o PFL.

A morte prematura de Luís Eduardo, que sofreu um infarto em abril de 1998, abortou uma candidatura presidencial que o próprio FHC não descartava apoiar. Na sucessão de 2002, o PFL chegou a lançar a candidatura presidencial de Roseana Sarney, hoje no PMDB. A pretensão da filha de Sarney virou pó depois que a Polícia Federal apreendeu R$ 1,3 milhão no escritório da empresa Lunus Participações, de propriedade do marido de Roseana, Jorge Murad.

A mesma convenção que aclamará a candidatura de Maia guindará à presidência do DEM o prefeito de Salvador, ACM Neto. Vem a ser sobrinho de Luís Eduardo Magalhães, herdeiro político do clã do seu avô ACM. Considerando-se que todo candidato é o seu valor multiplicado pela sua autoestima —ou dividido por sua autocrítica— Maia terá de provar a própria viabilidade eleitoral até maio ou junho. Sob pena de ser abandonado pelos aliados e desligado da tomada pelo pedaço do DEM que ainda prefere uma aliança com Alckmin. Hoje, as pesquisas atribuem a Maia 1% das intenções de voto.

Foto Sérgio Lima-Folha

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