O que dirá Lula a Moro quando for interrogado?

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Ricardo Stucker
Ricardo Stucker

Josias de Souza

De mansinho, como quem não quer nada, Sérgio Moro vai encostando a Lava Jato na jugular de Lula. Primeiro, o juiz avalizou a inclusão do triplex 164-A, que a OAS reservara para a família Silva no célebre prédio do Guarujá, no rol de imóveis investigados na Operação Triplo X. Na sequência, Moro liberou a Polícia Federal para abrir, na mega-investigação do assalto à Petrobras, um inquérito específico sobre o sítio de Atibaia, cuja utilização foi terceirizada a Lula —livre de ônus e sem prazo— por dois sócios do primogênito Fábio Luiz da Silva, o Lulinha.

O que parecia impensável vai ganhando contornos de inevitável. Se 10% dos indícios colecionados pela PF se confirmarem, Lula será intimado a prestar esclarecimentos. Primeiro à força-tarefa da Lava Jato. Depois, ao próprio Sérgio Moro. Nessa hora, a conversa fiada do complô de direita e o lero-lero da perseguição política terão pouca serventia. O depoente terá de pular o cercadinho das notas oficiais do Instituto Lula, que tratam qualquer investigação como coisa de estraga-festas infiltrados no aparato estatal e hereges a serviço da mídia golpista.

Cercados pelos fatos, Lula e o petismo vivem uma realidade nova. Partidos costumam proteger seus investigados. No caso do PT, mesmo os mais evidentemente culpados, como os mensaleiros, que arrastam as correntes de condenações irreversíveis, são homenageados como “guerreiros do povo brasileiro.” Para Lula, o PT concede um deixa-pra-lá preventivo. Quando o escândalo é tão escancarado que fica impossível não reagir, o partido oferece toda sua conivência e cumplicidade. O juiz Moro tem se revelado bem menos compreensivo.

Em último caso, faltando-lhe melhor explicação, Lula poderá alegar que cometeu o crime da desatenção. Já admitiu ter visitado o triplex do Guarujá na companhia do amigo Léo Pinheiro, dono da OAS. Reconheceu também que Marisa e Lulinha estiveram no imóvel sob reformas. Mas a falta de atenção impediu Lula de reparar que pisava, junto com seus familiares, a hipotética cena de crimes mais graves do que o descuido. Quando a ficha lhe caiu, o triplex já estava nas manchetes.

No sítio de Atibaia, Lula tornou-se um reincidente. Visitou tantas vezes a propriedade que não reparou nas melhorias providenciadas pela Odebrecht e pelo amigo José Carlos Bumlai. Tampouco se deu conta de que a OAS mandara instalar uma cozinha nova e requintada. Que diabos, ninguém cobrou nada! Como diz o amigo Gilberto Carvalho, presente de empreiteiros para um ex-presidente da República “é a coisa mais normal do mundo”.

Uma das vítimas dos novos tempos vividos por Lula e o PT é a semântica. Quando chamam de normal as relações de um ex-presidente da República com salteadores do Estado você sabe que está no meio de uma crise de significado ou numa roda de cínicos. A alternativa ao cinismo seria uma confissão à moda de José Dirceu. Espremido por Moro, Dirceu admitiu que cruzou o país no jatinho de um lobista encrencado na Lava Jato. Também confessou que um outro lobista pagou a reforma de uma de suas casas, em Vinhedo. Lula talvez se sinta mais confortável confessando a Sérgio Moro sua condição de cínico descuidado.

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