Paulo Caracará, conta a sua história na Polícia Civil de Rondônia

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No início do ano de 1983, eu me encontrava como comissário do 2º DP quando por volta das 21 horas recebi de uma senhora que era proprietária de tinha um bar na Avenida Calama com Rua Buenos Aires, informando que um elemento numa Kombi amarela, havia raptado a sua filha menor de idade. Imediatamente chamei o meu auxiliar Benedito Serra Maia e um condutor de viaturas que não recordo o nome e após diligencias, encontramos o sujeito na Rua Bueno Aires com Tiradentes na Kombi com a porta lateral aberta, totalmente embriagado e com as calças arriadas na altura dos pés, bolinando com a menina que devia ter cerca de 9 anos de idade.

Incontinenti dei voz de prisão ao mesmo, que retrucou em tom de ameaça, dizendo que nós não poderíamos prendê-lo, pois ele era motorista de Dona Aida, esposa do Governador Jorge Teixeira de Oliveira e se ele fosse preso ela não iria gostar, pois prejudicaria as suas compras no dia seguinte. Argumento claro, que não nos convenceu, sendo o mesmo conduzido ao 2º Distrito Policial e recolhido ao xadrez, ali fiz a ocorrência arrolando as testemunhas que se encontravam no bar e comuniquei ao delegado de plantão, que indagou o motivo, tendo então indagado se existia estupro ou algo assim, tendo eu respondido ao mesmo que aparentemente não, pois no momento da abordagem ela se encontrava vestida, tendo então sido orientado para que a mãe e a menor no dia seguinte fosse encaminhada ao IML, para exame de conjunção carnal e para que a mãe fosse ouvida no inquérito policial. 

 Ao longo da noite o sujeito ficou o tempo inteiro nos ameaçando, dizendo que a esposa do governador não iria gostar, pois a mesma dependia de tudo dele, inclusive para fazer a feira diariamente, permanecendo as ameaças até que finalmente passou a cachaça do mesmo.

Já no dia seguinte como era de praxe, encaminhei tal ocorrência ao delegado titular Dr. Smith, que ao tomar conhecimento do fato ficou desesperado e colocando as mãos na cabeça falou alto: ‘Olha ai o que você fez essa mulher é uma prostituta dona de um bar’. Tendo eu respondido ao mesmo doutor eu fiz o que deveria fazer, segurei o individuo e comuniquei o fato ao delegado plantonista.

 Logo depois o delegado Smith, telefonou para a residência oficial e confirmou que aquele individuo de fato trabalhava para a Primeira Dama e desesperado dizia: ‘Estamos prestes ao enquadramento e vamos perder o emprego, você deveria ter telefonado para mim, pois eu teria dado outro encaminhamento a ocorrência’, oportunidade que respondi ao mesmo: ‘Doutor eu não poderia tendo um delegado de plantão, ligar para o senhor para perturbá-lo no seu descanso’.

 Depois de cerca de meia hora de desespero do delegado, veio um telefonema do próprio governador         Jorge Teixeira para o delegado Smith, que bastante nervoso narrou os fatos e leu a ocorrência para o governador que bem ao seu estilo disse secamente: Deixa esse safado preso ai pelo menos por uns três dias recolhido, pois é isso que ele merece e parabenize a sua equipe de policiais.

O fato é que nem adiantou o nervosismo do delegado Smith em razão do nosso enquadramento e o medo de perder o emprego, pois apenas  alguns meses depois, o novo secretário Humberto Morais de Vasconcelos ao assumir, demitiu vário delegados, dentre eles Smith, pois já o conhecia dos quadros da Polícia Federal, onde ambos trabalharam e não tinha simpatia por ele. 

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