Pedro Marinho, conta a sua quinta história na Polícia Civil

WhatsApp
Facebook
Twitter

Entre os anos de 1987 e 1988,  quando me encontrava mais uma vez como Diretor de Polícia Metropolitana, fui procurado por um grupo de senhoras e estudantes, reclamando que não podiam caminhar pelas proximidades da conhecida e antiga Boate Tartaruga, no centro da cidade, pois segundo elas, ocorriam ali muita bebedeira, exploração de menores de idade e as senhoras e estudantes que passavam ali por perto, eram assediadas pelos frequentadores e que, portanto, alguma providencia teria que ser tomada, pois as mesmas já tinham recorrido a diversas autoridades e nada tinha sido feito para resolver a grave questão, que ocorria diariamente e a luz do dia. Depois de ouvir a mesma e de formalizar um Boletim de Ocorrência, prometi ao grupo que em 24 horas aquele problema de décadas seria finalmente resolvido.

 Já no dia seguinte solicitei para ficar a minha disposição o ônibus da garagem e mais duas viaturas veraneio e requisitando cerca de 15 homens com seus respectivos revolveres e três armas de grande porte.

Por volta das 15 horas quando o movimento dos freqüentadores da Boate já era grande, solicitei que o ônibus ficasse atravessado na rua na parte de cima e que as duas Viaturas Veraneios, se posicionassem na outra extremidade da rua, evitando assim quaisquer fugas, fossem de  indivíduos suspeitos, fossem de menores de idade.

Na verdade existiam duas boates na final da rua, quase defronte uma casa da outra. Na primeira que adentrei com parte da equipe não verifiquei nenhum anormalidade, tendo então me dirigido a Boate Tartaruga e ao adentrar ali, já pressenti um clima bem desagradável entre o motorista da Metropolitana, o policial do Estado Claudinei que trabalhava diretamente comigo e dois sujeitos alterados e desacatando os policiais presentes.

 Tais pessoas em pleno expediente e embriagadas se diziam soldados da Polícia Militar e que eles sim entendiam de policia e que nós não sabíamos de nada, quando então os rebati, dizendo que se eles eram tão entendidos assim em atividades policiais, era bem estranho que fossem ainda dois soldados rasos, quando então o mais forte não gostando da gozação que fiz com ambos, veio na minha direção, mas ficou só na vontade, pois o zeloso Claudinei, que tinha cerca de 1.80 de altura, passou voando próximo ao meu ombro e deu uma voadora acertando o peito do militar o jogando longe, quando então ordenei que ambos fossem algemados dentro do ônibus e encaminhados a Central de Polícia para as providências legais, bem como outros freqüentadores irregulares e as menores, tendo naquele dia a Boate Tartaruga encerrado de forma definitiva as suas atividades naquele local, são sabendo eu se ressurgiu em algum outro local da cidade. Penso que não.

 Com os policiais militares algemados no cano da Central de Polícia determinei que fossem adotadas as providenciam legais contra os mesmo e fui para meu gabinete informar ao comando da Polícia Militar sobre o acontecido e solicitando a presença do Oficial de Dia para levá-los para o quartel paras providencias administrativas. Qual não foi minha surpresa quando momentos depois fui rapidamente chamado pelo delegado de plantão, pois dois aspirantes que tinham chegado ali, atrevidamente usando as suas próprias chaves estavam tentando abrir as algemas dos dois soldados, desrespeitando os delegados e policiais presentes, quando então adentrei no recinto gritei ‘Alto lá’ e dei uma lição de moral nos dois, pedindo que ambos se retirassem e retornassem para o quartel, pois não entregaria os militares presos a eles, que não souberam se conduzir como graduados na casa alheia e que eu iria fazer um relatório sobre a conduta dos dois soldados e deles  oficiais, o que de fato cumpri no mesmo dia. 

Novamente liguei para o quartel e o próprio Oficial de Dia um capitão louro, cujo nome infelizmente não recordo que veio pessoalmente buscar os soldados e lamentou todo ocorrido, principalmente a conduta do dois aspirantes a Oficial e disse ali na Central na presença de todos, que as providências com os quatro militares seriam com certeza rigorosas, mas entretanto jamais soubemos o que aconteceu com os mesmos. Talvez absolutamente nada, mas tenho certeza que cumprimos o nosso dever e nos impomos.

Esta é mais uma das tantas histórias que nós policiais vivenciamos mesmo com as dificuldades próprias daquela época, Deixo aqui de citar nomes dos demais policiais civis envolvidos, pois infelizmente não  recordo e também por temer cometer injustiças.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias

IMG_20260131_164755
Luto - Jorge Dias de Castro
Screenshot_20251025_064856_Gallery
As carteiras de Identidade, serão entregues na Sede do Sinpfetro
IMG_20251216_170709
Luto - Gilberto Rosa de Souza
IMG_20251208_070332
Cinco anos do falecimento do colega, José Mariano da Silva Filho
IMG_20251207_090548
Luto - Iran de Lima Belo
IMG_20251203_223905
Salve o Dia do Perito Criminal
Screenshot_20251203_073924_Gallery
Salve o Dia dos Delegados de Polícia
Screenshot_20251021_121742_Gallery
Evento - Agradecimento ao Sinpol
Screenshot_20250912_125149_Gallery
Diretores visitam Guajara-Mirim
Presidente do Sinpfetro denuncia golpe contra sindicalizados utilizando nome de advogado
ALERTA MÁXIMO: Presidente do Sinpfetro denuncia golpe contra sindicalizados utilizando nome de advogado

Últimas do Acervo

IMG_20260117_083200
Início dos Anos 80, reunião de colegas
IMG_20260104_181933
Luto - Elcedir Leite de Araújo
IMG_20251216_170709
Luto - Gilberto Rosa de Souza
IMG_20251208_070332
Cinco anos do falecimento do colega, José Mariano da Silva Filho
IMG_20251208_070815
Quatro anos do falecimento do colega , David Barroso de Souza
Screenshot_20251118_195301_Gallery
Academia de Polícia Civil “Del. Luiz Glaysman Alves de Oliveira
Screenshot_20250815_082944_WhatsApp
Luto - Raimundo Nonato Ribeiro - Mão Grande
Screenshot_20250608_200007_WhatsApp
Luto - Jean Fialho Carvalho
Screenshot_20250510_164254_Facebook
Luto - Heloisa Brasil da Silva
Screenshot_20250416_120604_Facebook
Luto - Paulo Afonso Ferreira

Conte sua história

Screenshot_20250314_130349_Facebook
GUERREIRAS DA LEI: HONRA E CORAGEM DAS MULHERES POLICIAIS CIVIS
20220903_061321
Suicídio em Rondônia - Enforcamento na cela.
20220902_053249
Em estrada de barro, cadáver cai de rabecão
20220818_201452
A explosao de um quartel em Cacoal
20220817_155512
O risco de uma tragédia
20220817_064227
Assaltos a bancos continuam em nossos dias
116208107_10223720050895198_6489308194031296448_n
O começo de uma aventura que deu certo - Antonio Augusto Guimarães
245944177_10227235180291236_4122698932623636460_n
Três episódios da delegada Ivanilda Andrade na Polícia - Pedro Marinho
gabinete
O dia em que um preso, tentou esmurrar um delegado dentro do seu gabinete - Pedro Marinho.
Sem título
Em Porto Velho assaltantes levaram até o pesado cofre da Padaria Popular