Pedro Marinho – Na sua recaptura o latrocida Sapeca de joelhos, pediu clemência aos policiais.

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Mais ou menos no ano de 1985, como já acontecera outras vezes, o perigoso marginal oriundo do Amazonas, mais precisamente da capital Manaus, conhecido apenas por Sapeca, em razão da sua periculosidade e astucia, fugiu do 4º Distrito Policial depois de serrar as barras de ferro da cela.

Naquela ocasião, vários delegados e agentes policiais se dividiram em perseguição a Sapeca, pois em que pese ser ele um sujeito de pequena estatura, era destemido e capaz de livre cometer outros crimes e até mesmo matar para roubar, que era a sua especialidade.

Temerosos que o mesmo na ânsia de fugir fizesse novas vitimas, não faltaram esforços para a sua localização com equipes espalhadas por estradas diferentes, pois existia a informação que fugia a pé e que poderia se encontrar armado.

Certo dia com dois veículos Volkswagen, rumei com uma equipe de cerca de sete homens com destino a localidade de Abunã, pois Sapeca poderia tentar alcançar o Acre e seguíamos a pé no meio de muita poeira e os veículos vinham sempre atrás, cerca de mil metros, para evitar o barulho dos motores e assim espantar ele Sapeca caso estivesse ali por perto.

Depois de invadir propriedades e casas desertas e verificar se havia vestígios do citado fugitivo, via rádio mandávamos que o carro nos alcançasse e nós íamos mais adiante, quando novamente desembarcávamos e fazíamos o mesmo procedimento seguíamos a pé invadindo as propriedades abandonadas.  

Depois de muitos quilômetros dessa cansativa jornada, subindo e descendo dos veículos, invadindo sem sucesso várias propriedades, eis que quando nos aproximávamos de um centro de umbanda, que existia num alto do lado esquerdo da pista sentido Abunã,  avistamos parado defronte ao imóvel um individuo que parecia ser o Sapeca, quando então via rádio determinei que as viaturas lá atrás, desligassem os motores para não afugentar o individuo e neste instante dei ordem para que todos subíssemos sorrateiramente para confirmado ser o Sapeca o surpreender evitando assim qualquer reação por parte do mesmo.

Com as armas em punho, contornamos a modesta casa sem sermos vistos e fomos nos esgueirando pela lateral da mesma, até que eu surgi na frente da casa e ali vi Sapeca que tomava água num copo de alumínio, que havia solicitado a dona da casa e ele que já me conhecia do 4º D.P, [i] ao me ver, soltou o copo caiu de joelhos com as mãos na cabeça e gritou:   “Dr. Pedro Marinho, não me mate e não deixe que ninguém faça nada comigo”. Evidente que diante da covarde reação do mesmo, ninguém iria fazer nenhum mal aquele marginal, que foi preso inclusive na presença de todos que se encontravam naquela casa.

De volta ao 4º DP a prisão de Sapeca foi comemorada por todos, principalmente pelo secretário de Segurança e pelo Diretor Geral que deu os parabéns para toda equipe responsável pela prisão do perigoso marginal e as outras equipes que não mediram esforços para localizar o foragido, que anos depois foi morto em Manaus num confronto com a Policia amazonense.

 No dia seguinte todos os órgãos de imprensa destacaram com ênfase a prisão do bandido Sapeca, tendo o extinto Jornal a Tribuna, edição guardada hoje em meus arquivos,  circulado com a interessante manchete ‘Latrocida Sapeca pede clemência ao delegado Marinho’.

 

 

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