Envelhecer não é tarefa fácil. É preciso disciplina, dedicação e toma muito tempo. Parece contraditório, pois se toma tempo e se é o tempo que faz envelhecer, então como não ficar velho?
Explico: O não envelhecimento ao qual me refiro não significa congelar-se no tempo, pois ele passará de qualquer forma. Refiro-me a viver sem deixar ser afetado pelo tempo, o que depende de atitudes, pensamentos corretos, vida calma, jejum, muito riso, exercícios físicos, boas leituras e sábias reflexões acerca do “SER” e, é claro, amar e ser amado. Ah sim, ia me esquecendo! Não visite muito o médico, especialmente quando ele estiver doente; não assista a telejornais sangrentos, não fume, não beba (ressalva para a água), ande a pé ou de bike sempre que possível, não use celular com muita frequência (pelo menos não durante o banho) e também não frequente velórios, exceto se for o seu. Não se estresse com coisas sobre as quais não tenha controle. Poupe sua mente e corpo para o que de fato interessa, que é o “viver muito e bem”.
Ok… você decidiu viver muito e sem envelhecer, então deve ter feito um bom planejamento, não é verdade? Certamente fez uma boa poupança, trabalhou duro à vida toda para se aposentar de forma digna e “curtir seus últimos dias de boa”. Sinto muito! Se agiu assim, desculpe-me, mas você fez tudo errado e deve estar sentindo o peso da idade.
Em verdade, se você planejou para ter uma vida longa, então deve ter levado a vida com tranquilidade, embora com responsabilidade, sabedoria e disciplina, mas sem se desgastar lutando por coisas supérfluas. Trabalhou para se realizar naquilo que gosta de fazer e não apenas para somar dividendos para o futuro, acumulando tantos problemas de saúde que no fim não tem saúde para viver bem a última “jogada do tabuleiro da vida”.
A última etapa é linda! Não pelos cabelos brancos que traz, até porque a maioria ao chegar nela nem cabelos tem mais, mas é linda pelas coisas que nos ensina. Ensina, por exemplo, a sermos calmos, ponderados e tolerantes, mesmo com algumas crises de ranzizice; ensina a olhar as pessoas, não para julgá-las, mas para vê-las como de fato são e aceitá-las; a refletirmos antes de responder a situações embaraçosas, chatas, agressivas, e, especialmente, ensina-nos a ver que a mocidade não é um período de irrascividade e preguiça, mas é um “vestibular” no qual fomos aprovados; a vida adulta é a nossa faculdade e a velhice nossa graduação máxima.
O tempo nos faz religiosos, não para frequentar igrejas e fazer penitências, mas para ver Deus onde Ele de fato está, ou seja, em todas as coisas e em todos os lugares, inclusive dentro de cada um de nós e assim entendermos que “só há um Deus…para cada um”.
Bem-vindo à MELHOR IDADE, embora eu não goste desse conceito equivocado, pois a melhor idade são todas as idades. Essa é apenas uma das tantas que experimentamos ao longo da vida e que superamos.
A morte, depois de ter vivido longos anos, não representa um fim da nossa pessoalidade, mas o fim de uma aventura que iniciamos no dia em que nascemos e na qual nos arriscamos, divertimos, erramos, acertamos, desistimos, insistimos…enfim vivemos. Quem viveu intensamente tem o direito de “descansar” como um herói.
Jair Queiroz – Apenas uma divagação.
Uma resposta
Ótima dissertação sobre o tema envelhecer. Digo isto por dois motivos:
Primeiro: penso da mesma forma.
Segundo: sou o mais “antigo” ( velho nada!) dos irmãos e portanto mais adiantado neste processo sabiamente descrito.