Dilma fala em dilmês e soa paradoxal na ONU

WhatsApp
Facebook
Twitter



Josias de Souza
Ao ocupar a tribuna da ONU, na manhã desta sexta-feira, Dilma Rousseff se absteve de pronunciar o vocábulo “golpe”. Num alvissareiro recuo, madame preferiu dizer, em timbre vago, que o Brasil vive um “grave momento”. Teve o cuidado de retratar o país como uma “pujante democracia”. E disse ter confiança na capacidade do povo brasileiro de “impedir quaisquer retrocessos.”

Não é nada, não é nada, a manifestação e Dilma não é nada mesmo. Ou, por outra, a presidente apenas expôs o pardoxo do dilmês, seu idioma particular. Vale a pena reproduzir o pedaço do discurso em que Dilma fugiu da pauta climática da ONU para tratar do aquecimento nacional e da emissão de gases de enxofre da política brasileira:

“Senhoras e senhores, não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir quaisquer retrocessos. Sou grata a todos os lideres que expressaram a mim sua solidariedade.”

Eis o paradoxo de Dilma: um “grave momento” acontecendo num país que vive sob “pujante democracia”, habitado por “um povo trabalhador”, que é capaz de “impedir quaisquer retrocessos”… Esse cenário pode ser interpretado como uma apoteose da normalidade institucional de uma nação tentando se reencontrar ou apenas como mais um mistério dessa inescrutável terra de palmeiras e sabiás.

Seja como for, o povo já informou o que deseja. Tomado pelo último Datafolha, a maioria dos brasileiros quer o impeachment de Dilma (61%) e também o impedimento de Michel Temer (58%). A taxa dos que defendem a renúncia da presidente e do seu vice é idêntica: 60%. Noutra evidência de que o brasileiro sabe o que quer, 80% defendem a cassação do mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Quer dizer: fica sem sentido o debate sobre quem realmente está dando o golpe no Brasil: Dilma, que pedalou a paciência alheia e se fingiu de cega diante da roubalheira que carreou verbas sujas para sua campanha, ou o PMDB, que participou do assalto e faz pose de inocente enquanto empurra Michel Temer para dentro do Planalto pela porta dos fundos.

Para o povo trabalhador do Brasil, a saída é clara: Dilma e Temer deveriam renunciar. E a Câmara teria de passar o mandato de Cunha na lâmina. Como nada disso vai acontecer, o TSE precisa cassar a chapa Dilma-Temer e o STF tem de apreciar o pedido do procurador-geral Rodrigo Janot para que Cunha seja interditado judicialmente. O resto é desconversa. Ou dilmês.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias

IMG_20260131_164755
Luto - Jorge Dias de Castro
Screenshot_20251025_064856_Gallery
As carteiras de Identidade, serão entregues na Sede do Sinpfetro
IMG_20251216_170709
Luto - Gilberto Rosa de Souza
IMG_20251208_070332
Cinco anos do falecimento do colega, José Mariano da Silva Filho
IMG_20251207_090548
Luto - Iran de Lima Belo
IMG_20251203_223905
Salve o Dia do Perito Criminal
Screenshot_20251203_073924_Gallery
Salve o Dia dos Delegados de Polícia
Screenshot_20251021_121742_Gallery
Evento - Agradecimento ao Sinpol
Screenshot_20250912_125149_Gallery
Diretores visitam Guajara-Mirim
Presidente do Sinpfetro denuncia golpe contra sindicalizados utilizando nome de advogado
ALERTA MÁXIMO: Presidente do Sinpfetro denuncia golpe contra sindicalizados utilizando nome de advogado

Últimas do Acervo

IMG_20260117_083200
Início dos Anos 80, reunião de colegas
IMG_20260104_181933
Luto - Elcedir Leite de Araújo
IMG_20251216_170709
Luto - Gilberto Rosa de Souza
IMG_20251208_070332
Cinco anos do falecimento do colega, José Mariano da Silva Filho
IMG_20251208_070815
Quatro anos do falecimento do colega , David Barroso de Souza
Screenshot_20251118_195301_Gallery
Academia de Polícia Civil “Del. Luiz Glaysman Alves de Oliveira
Screenshot_20250815_082944_WhatsApp
Luto - Raimundo Nonato Ribeiro - Mão Grande
Screenshot_20250608_200007_WhatsApp
Luto - Jean Fialho Carvalho
Screenshot_20250510_164254_Facebook
Luto - Heloisa Brasil da Silva
Screenshot_20250416_120604_Facebook
Luto - Paulo Afonso Ferreira

Conte sua história

Screenshot_20250314_130349_Facebook
GUERREIRAS DA LEI: HONRA E CORAGEM DAS MULHERES POLICIAIS CIVIS
20220903_061321
Suicídio em Rondônia - Enforcamento na cela.
20220902_053249
Em estrada de barro, cadáver cai de rabecão
20220818_201452
A explosao de um quartel em Cacoal
20220817_155512
O risco de uma tragédia
20220817_064227
Assaltos a bancos continuam em nossos dias
116208107_10223720050895198_6489308194031296448_n
O começo de uma aventura que deu certo - Antonio Augusto Guimarães
245944177_10227235180291236_4122698932623636460_n
Três episódios da delegada Ivanilda Andrade na Polícia - Pedro Marinho
gabinete
O dia em que um preso, tentou esmurrar um delegado dentro do seu gabinete - Pedro Marinho.
Sem título
Em Porto Velho assaltantes levaram até o pesado cofre da Padaria Popular