Rodrigo Janot, estuda pedir o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha

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Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estuda pedir o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao Supremo, na próxima terça (13); a base para o pedido está no fato de que Cunha, mesmo tendo contas na Suíça, mentiu sobre isso perante uma CPI em março e na declaração de bens entregue à Justiça eleitoral; na PGR e no STF já se discute se seria possível afastar Cunha do cargo com base nas mesmas regras aplicadas a presidentes da República processados por crime comum; enquanto isso, informações da Suíça sobre o deputado são cada vez mais constrangedoras; ele usou suas contas secretas no país para várias despesas pessoais, entre elas o pagamento de US$ 59,9 mil para Nick Bolletieri, famoso professor de tênis, dar aulas para sua esposa, a jornalista Cláudia Cruz; além de corrupção e lavagem de dinheiro, Cunha poderá ser investigado pelos suíços também por sonegação fiscal e evasão de divisas

247 – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, estuda pedir o afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ao Supremo, na próxima terça-feira (13). Cunha tinha conta bancária na Suíça, mas mentiu sobre isso perante uma CPI em março e na declaração de bens entregue à Justiça eleitoral na campanha de 2014. Na Procuradoria Geral da República e no Supremo Tribunal Federal já se discute se seria possível afastar Cunha do cargo com base nas mesmas regras aplicadas a presidentes da República processados por crime comum.

Enquanto isso, relatório do Ministério Público da Suíça mostra que Cunha usou suas contas secretas no país para pagar faturas de cartões de crédito internacional e despesas pessoais da família na Inglaterra, na Espanha e nos Estados Unidos, entre outros países. Entre os gastos está até pagamento de US$ 59,9 mil para a IMG Academies, de Nick Bolletieri, famoso professor de tênis em Palm Beach, reduto de milionários americanos. Os suíços investigaram Cunha por corrupção e lavagem. A partir de agora, ele poderá ser investigado também por sonegação fiscal e evasão de divisas, entre outros crimes.

Parte da movimentação já rastreada pelos investigadores suíços indicam que uma das quatro contas secretas recebeu US$ 1.363.371,80 desviados de um dos negócios fraudulentos da Petrobras descobertos na Operação Lava-Jato. As contas estão em nomes de off-shores com sede em paraísos fiscais e não foram declaradas à Receita Federal.

Cunha e a mulher, a jornalista Cláudia Cruz, abriram quatro contas secretas no Julius Baer, na Suíça, em nome de quatro diferentes off-shores: a conta de número 4548.1602 Orion SP que tem sede provavelmente nas Ilhas Cayman; a conta de número 4548.6752 está em nome da Netherton Investments Ltda; a conta de número 4546.6857 aparece em nome da Triumph SP; a conta de número 4547.8512 aparece em nome da Kopek, cujo titular é Cláudia Cruz. Três contas foram abertas em 2008 e uma delas,Triumph, em 2007.

As contas Orion, Netherton e Trirumph têm como titular, segundo os documentos, Eduardo Cunha. A Kopek tem como titular Cláudia Cruz. Duas das quatro contas, a Orion, e a Triumph foram fechadas ano passado, logo depois do início da Operação Lava-Jato, como informou o GLOBO na edição online ontem. Outras duas contas, a Netherton e a Kopek foram bloqueadas em abril desde ano com saldo de US$ 2.566.121,00, o equivalente a quase R$ 10 milhões. Mas a movimentação financeira de Cunha e Cláudia Cruz é bem superior a estas cifras.

Parte dos extratos bancários indicam que as contas de Cunha e da mulher receberam pelo menos US$ 5,9 milhões, o equivalente a R$ 22 milhões desde que foram abertas. Parte do dinheiro da conta Kopek, US$ 119.795,95 foram gastos em pagamentos na Fundacion Esade, em Barcelona, entre 4 de agosto de 2011 e 15 de fevereiro de 2012. No mesmo período Danielle Cunha, filha de Eduardo Cunha, fez um MBA na escola.

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