Achado NÃO! … É ROUBADO! Art. 1.233 Código Penal – Jair Queiroz

Achado NÃO! … É ROUBADO! Art. 1.233 Código Penal – Quem quer que ache coisa alheia perdida há […]


Achado NÃO! … É ROUBADO! Art. 1.233 Código Penal – Jair Queiroz

Achado NÃO! … É ROUBADO! Art. 1.233 Código Penal – Quem quer que ache coisa alheia perdida há de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor. Parágrafo único. Não o conhecendo, o descobridor fará por encontrá-lo, e, se não o encontrar, entregará a coisa achada à autoridade competente.

Bem, eu estava no Aeroporto de Congonhas, SP. O embarque já havia sido anunciado, mas enquanto a fila se formava, fui até o banheiro. Na entrada topei com um homem que saía e mal visualizei o perfil dele, mas vi que era grandalhão barbudo. Logo depois vi sobre o lavatório um a aparelho celular, um IPhone, certamente bastante valioso.

Ninguém mais tinha entrado, logo, só poderia ser daquele homem. Pensei que poderia avistá-lo no saguão e peguei o aparelho, mas na vi que era impossível, pois havia uma grande movimentação na área de embarque, inclusive do meu voo. A alternativa foi desligar o aparelho, colocá-lo na bolsa e embarcar. 6 ou 8 horas depois, estava em Porto Velho, Rondônia e no hotel liguei e tentei uma forma de identificar o proprietário para fazer contato, mas vi que tinha pouca bateria e se eu insistisse poderia descarregar, então o desliguei novamente.

]Uma semana depois, já em casa, eu e minha esposa fizemos uma pesquisa e encontramos fotos, inclusive de uma carteira uma identidade, cujo dono tinha sobrenome possivelmente alemão. A foto era de alguém mais jovem, mas tinha o mesmo perfil.

O DDD nos remeteu a uma famosa cidade de Santa Catarina e na lista de contatos encontramos o registro de uma mulher como o mesmo sobrenome. Ligamos e… BATATAAA!!! Era a esposa dele! Ficou impressionada por estar recebendo uma ligação do próprio telefone do marido e falou do desespero dele, pois ali estavam arquivados projetos importantes relacionados ao trabalho, dentre eles materiais de aulas que ministrava numa Universidade.

Narrei-lhe a história de como o encontrei e a razão de não ter feito contato antes e disse que queria devolvê-lo. Ela me perguntou quanto eu queria receber para isso. Eu não esperava essa pergunta e confesso que me incomodou. Minha resposta, obvia, foi um sonoro NADA, o telefone é dele e esta comigo por acaso. Quero apenas restituí-lo.

Bem, conversamos, ela passou o endereço e no dia seguinte o despachei pelos Correios, devidamente embalado, acondicionado entre duas plaquetas de isopor, etc. Minha índole para ladrão nasceu morta!

Jair Queiroz é psicólogo e policial civil do ex-Território de Rondônia


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