Causa de R$ 15 milhões provocou ‘Escândalo Cardozo‘

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O escândalo alardeado pela mídia pelo fato de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, ter recebido advogados das empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato só não levou em consideração um “pequeno detalhe”; a denúncia partiu de um escritório de advocacia que deixou de faturar a bagatela de R$ 15 milhões; os vultosos honorários seriam cobrados dos executivos presos em Curitiba para que o advogado mediasse um acordo de delação premiada com o juiz Sergio Moro; como houve a desistência da delação, veio a acusação a Cardozo; revelação é da colunista do 247 Tereza Cruvinel

Por Tereza Cruvinel

Todo o espalhafatoso noticiário sobre “encontros clandestinos” entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e advogados das empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato decorre da frustração de um advogado que deixou de faturar R$ 15 milhões. Esta seria a quantia que ele ganharia se os executivos presos em Curitiba o tivessem contratado, como já estava sendo negociado, para mediar um acordo de delação premiada com o juiz Sergio Moro.

As empreiteiras desistiram mas não foi, como relatou Veja, porque Cardoso teria informado ao advogado Sergio Renault, sócio de um dos escritórios que defendem as empreiteiras, que “haveria uma reviravolta” no caso depois do carnaval com a inclusão de nomes da oposição na lista de denunciados do procurador-geral Rodrigo Janot. Desistiram porque, naqueles dias, o STF confirmou Habeas Corpus concedido pelo ministro Teori Zavascki, garantindo a permanência em liberdade do ex-diretor da Petrobrás Renato Duque, argumentando inexistirem indícios de que ele pretendia fugir do país.

Isso acendeu a luz da esperança para os outros detidos em prisão preventiva, contra os quais também não existem indicativos de fuga planejada. Desistiram da delação e decidiram entrar com novos pedidos de Habeas Corpus. O famoso advogado ficou na mão, perdeu sua polpuda remuneração. Soube da passagem de Renault pelo Ministério da Justiça e ligou para seus contatos na Veja. O resto do barulho foi feito pelo ex-ministro Joaquim Barbosa e o noticiário dos jornais.

Agora se sabe que não foi Renault que Cardoso recebeu oficialmente para tratar da Lava Jato. Renault passou por lá para encontrar o também advogado Sigmaringa Seixas, que saía de um encontro com o ministro. Os dois iriam almoçar juntos. Esperou na antessala.

Os advogados que o ministro recebeu, conforme agenda e ata do Ministério, foram os da Norberto Odebrecht, no dia 5/2. Disso Veja não soube. O advogado frustrado não sabia. Agora se sabe que os advogados da Odebrecht, Pedro Estevam Serrano, Maurício Roberto Ferro, Dora Cavalcanti procurou o canal correto tratar de tema pertinente à pasta. É subordinado ao Ministro da Justiça o DRCI – Departamento de Repatriação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, órgão central ao qual deve ser demandada, pela Justiça, toda e qualquer cooperação de outros países na busca por provas, documentos e pelos valores de origem ilícita depositados lá fora.

Foi o DRCI, por exemplo, que localizou e pediu a repatriação dos recursos depositados por Paulo Maluf. O que os advogados pediram, por escrito, conforme pediu Cardoso, foi a comprovação oficial de que as informações obtidas na Suíça por três procuradores que lá estiveram contaram com a mediação do órgão central. Não foram, portanto, pedir “interferência política” mas um ato de ofício de quem tem autoridade para tal. A seguir ele encaminhou a demanda ao Ministério Pública, Polícia Federal e DRCI.

Em sua delação premiada, no termo 38, o ex-diretor Paulo Roberto Costa disse ter recebido da Odebrecht, entre 2012 e 2013, US$ 31,5 milhões em propinas, através de depósitos em quatro contas abertas na Suíça pelo operador Bernardo Freiburghaus, dono da Diagonal Investimentos. Disse o delator que nem os pediu, a Odebrecht é que os ofereceu, “em nome do bom relacionamento”, e que eles eram exclusivamente seus, não entrando na partilha com agentes políticos. A Odebrecht negou as acusações, que qualificou como “calúnias”. Parece suspeitar que Paulo Roberto Costa está usando o nome da empreiteira para acobertar outro corruptor.

Vale a pena ler os 40 termos de delação premiada de Costa. É mesmo espantoso que alguém tenha roubado tanto, desde os anos 90, e já nem sabia o que fazer com tanto dinheiro estocado lá fora. Agora dizer querer de volta a sua alma.

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